Competição reuniu atletas de diferentes regiões, criou uma divisão inédita por tipos de deficiência e avançou na preparação da modalidade para uma futura entrada nos Jogos Paralímpicos
São Paulo recebeu, nos dias 25 e 26 de julho, a terceira edição do Paraskate Tour, principal campeonato brasileiro dedicado exclusivamente ao skate praticado por pessoas com deficiência. Realizada no skatepark do Sport Club Corinthians Paulista, a competição reuniu cerca de 30 atletas de diferentes regiões do país para disputas nas modalidades Street e Bowl.
Criado em 2021 pela Associação Brasileira de Paraskateboard (ABPSK), o evento acompanha a rápida evolução da modalidade no Brasil. Em poucos anos, o paraskate ganhou competições próprias, passou a integrar etapas de grandes circuitos nacionais e ampliou sua presença em eventos internacionais. Em 2026, por exemplo, o paraskate Street foi disputado pela primeira vez em uma etapa do STU National em Florianópolis, outro sinal de que novos espaços estão sendo abertos para os atletas.
O crescimento também ocorre fora das pistas. Em junho, representantes da ABPSK participaram de encontros com a World Skate, entidade internacional responsável pela modalidade, durante a Copa do Mundo de Roma. Atletas brasileiros também foram convidados para uma apresentação especial de skate adaptado no evento, fortalecendo o reconhecimento do trabalho realizado no país.
A principal novidade do Paraskate Tour 2026 foi a adoção de uma divisão inicial dos competidores de acordo com os tipos de deficiência. As disputas contaram com categorias para atletas com deficiência física e visual, além das categorias Mirim e Open Bowl.
Foi a primeira vez que uma competição de paraskate estruturou essa separação com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de uma futura classificação funcional. Esse sistema procura reduzir a influência das diferentes deficiências sobre o resultado, permitindo que o desempenho técnico dos atletas tenha maior peso na definição dos vencedores. A classificação funcional é considerada uma parte fundamental das modalidades integrantes do movimento paralímpico.
A iniciativa brasileira representa, portanto, um passo importante para que o paraskate esteja preparado para uma possível entrada no programa dos Jogos Paralímpicos. A modalidade ainda não faz parte dos Jogos e não existe uma edição definida para sua estreia, mas o avanço das regras, da organização das categorias e do calendário competitivo aproxima o esporte dos critérios exigidos internacionalmente.
“São Paulo tem orgulho de apoiar um evento que abre oportunidades, valoriza o talento das pessoas com deficiência e ajuda a desenvolver o paraskate mundial. Quando o poder público investe no esporte inclusivo, ele também promove saúde, autonomia e participação social. Vamos continuar trabalhando para que mais atletas tenham espaços adequados para treinar, competir e representar o Brasil”, afirmou o vereador George Hato.
Além das competições, a edição de 2026 ampliou o trabalho de aproximação com novos praticantes. Antes das provas, aproximadamente 50 pessoas, entre familiares, crianças e representantes de projetos sociais, participaram de uma roda de conversa com os paraskatistas. Os atletas compartilharam suas experiências e mostraram como o esporte pode ajudar no desenvolvimento da confiança, da independência e da convivência.
A categoria Mirim foi outro destaque. Théo Severo Huckembeck conquistou o primeiro lugar, seguido por Arthur Isaac de Santana Pereira e Lucas Rafaell Tristão de Souza. A presença de crianças no campeonato demonstra que o paraskate começa a formar uma nova geração de atletas.
A competição também marcou o avanço da participação feminina. Suelen Mayna Silva de Souza foi a única mulher a chegar ao pódio, terminando na terceira colocação da categoria Street para atletas com deficiência visual. Leonardo Soares de Almeida foi o campeão, seguido por Fernando da Silva de Araújo.
Na categoria Street para atletas com deficiência física, o título ficou com David Henrique Soares Zaramella. Antonio Augusto Alves Correa da Cruz terminou em segundo lugar e Ítalo Fernandes de Lima completou o pódio. Já no Open Bowl, Vinícius Sardi foi o campeão, seguido por Ítalo Fernandes de Lima e Fernando da Silva de Araújo.
Realizado pela Associação Brasileira de Paraskateboard, o Paraskate Tour contou com patrocínio da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer e da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. A roda de conversa com atletas, famílias e projetos sociais também foi promovida em parceria com a SMPED. O evento teve ainda o apoio do vereador George Hato e de parceiros da iniciativa privada.
Ao apoiar o Paraskate Tour, a gestão do prefeito Ricardo Nunes reforça a posição de São Paulo como um dos principais polos do skate e do esporte adaptado na América Latina.
